Futebol em Moçambique: a evolução dos mambas com Abel Xavier

África do Sul, país vizinho, voltou a ser o primeiro absorvedor do talento moçambicano. Uma análise feita pela Talent Spy

Fonte:Divulgação
Abel Xavier está quase há dois anos à frente da Seleção de Moçambique, e este tem mostrado ser o seu projeto de afirmação enquanto treinador. Paulatinamente, o futebol moçambicano volta a ter visibilidade. Os números mais ilustrativos disto mesmo é o número de jogadores a atuar no estrangeiro que por norma constituem o onze inicial da seleção, em média 8 em 11 jogadores.

África do Sul, país vizinho, voltou a ser o primeiro absorvedor do talento moçambicano. Contudo, Portugal também não perde a sua ligação, e no último jogo particular, no empate frente ao Quénia, 4 dos jogadores utilizados atuam nas competições portuguesas.

A revolução de Abel Xavier iniciou com a reorganização interna das diferentes competições em que a seleção principal estava inserida. A seleção tem passado por 4 tipos de provas:

Jogos particulares

CHAN - competição onde só participam jogadores a atuar nos campeonatos africanos
COSAFA - competição onde só participam países da África Subsariana
CAN - principal competição africana que permite o acesso ao mundial

A estratégia da equipa técnica, onde também se encontra Luís Gonçalves, tem passado por aproveitar estas competições de forma diferenciada:

CHAN - direcionar para jogadores a atuar no Moçambola
COSAFA - direcionar para jovens talentos que se encontram a despoletar
CAN - a prova a que todos os jogadores devem ambicionar chegar.

O objetivo é simples, aumentar a competitividade e melhorar o processo, para que a seleção possa carimbar a passagem ao CAN e marcar pela primeira vez na história presença num Mundial. O que já não vai acontecer no Mundial da Rússia, mas que pode acontecer na primeira oportunidade desta nova era.

Nos próximos tempos a ideia é alargar esta organização aos escalões mais jovens. Com um jogo realizado no apuramento para o CAN 2019, os Mambas contam com uma vitória, frente à Zâmbia, o que aconteceu pela primeira vez na história. Assim contabilizam 3 pontos, os mesmos do que o próximo adversário dessa competição, Guiné Bissau. Jogo que se realizará a 23/03/2018 em Maputo. Ainda que até lá outros dois jogos particulares se realizarão, o próximo será na Guiné Equatorial, entre 2 a 10 de outubro, e posteriormente em casa frente a adversário a designar entre 6 a 14 de novembro.

A base de recrutamento da seleção principal aponta para 80 jogadores, sendo que 17% estão entre os 29 e os 33 anos, 40% entre os 19 e os 23 anos e 43% entre os 24 e os 28 anos. O facto de 57% dos selecionáveis estarem abaixo dos 23 anos evidencia um futuro que pode ser risonho. Mais ainda quando se constata que destes 21% já atuam no estrangeiro. E aqueles, poucos, que por norma são titulares e atuam no campeonato interno são certamente os próximos a ingressar em mercados externos. Nomes como Kambala, Miquissone e Salomão podem ser os "pré-destinados".

O projeto Talent Spy está a ser implementado neste país e visa informatizar todo o conteúdo alusivo a jogadores e equipas, o que vai ajudar na melhoria da imagem e do acesso à informação da própria Liga Moçambicana e por consequência da Federação Moçambicana de Futebol, que pretende melhorar também a competitividade das seleções mais jovens e voltar a ativar as seleções provinciais, através de torneios como o célebre BEBEC, de onde saíram inúmeros jogadores, tais como Dário Monteiro, Paíto e Zainadine Júnior, agora no Marítimo.


Fonte:O Jogo
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