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21 julho 2018

“O tênis brasileiro ainda não existe”, afirma Guga

(Foto: Djalma Vassão/ Gazeta Press)
Um dos maiores tenistas da história e grande símbolo do esporte brasileiro, Gustavo Kuerten, o Guga, continua vivendo a modalidade que o fez conhecido por todo o país. Desde que se aposentou, no começo de 2008, o catarinense ressalta a importância de projetos públicos e de incentivos do governo para que inúmeros jovens possam ter estrutura para se tornarem e se manterem como atletas profissionais.
Durante o 6º ENEG (Encontro Nacional das Escolas Guga), que reuniu gestores e professores das 48 unidades franqueadas no país, o tricampeão de Roland Garros afirmou que o tênis brasileiro ainda precisa surgir. Para ele, isso acontece porque sempre que o esporte é lembrado na maior nação da América do Sul, é através de personagens, como ele próprio, e não por dezena de tenistas que que aparecem constantemente nos principais torneios do circuitos.
“O tênis brasileiro ainda não existe. Existem os jogadores. Um é número 50, outro é número 20. A Bia (Haddad) está mal, a Teliana também está tentando, o Thomaz (Bellucci) está em uma fase ruim, o Thiago Monteiro é um dos mais próximos do Top 100…Infelizmente, quando se fala de tênis aqui no Brasil a gente fala de personagens, fala evolução, para que tenha vida o tênis brasileiro. A ideia do projeto é montar uma estrutura, uma cultura do tênis no país”.
Extremamente carismático e buscando exemplos positivos sempre que fala sobre o esporte, Guga mostra humildade até mesmo ao falar sobre as outras escolas de tênis ao redor do mundo. Para mostrar a precariedade da prática local, o ex-número um do mundo não precisou ir muito longe.
“Vamos pegar o exemplo da Argentina. Se você for lá, você vai ver, ninguém para de jogar. Os ex-tenistas continuam vivendo o tênis. Muitos viraram treinadores, se tornaram professores, e muitos estão participando de alguma forma do tênis. Isso é uma experiência única, isso faz com que o garoto que está ali tenha mais chance de se adaptar às dificuldades do tênis profissional”.
Desde que parou de jogar profissionalmente, há pouco mais de dez anos, Guga viu o Brasil conquistar apenas quatro títulos de ATP 250, todos eles ganhos pelo mesmo tenista, Thomaz Bellucci. Já os argentinos celebraram 27 troféus de ATP 250 e 14 de ATP 500, sendo que nove atletas “hermanos” diferentes tiveram o prazer de levantar ao menos um caneco.
Além disso, o tênis brasileiro vive uma das fases mais negativas das últimas décadas. Além da escassez de títulos importantes, o país não tem nenhum tenista entre os 100 melhores do mundo na atualidade, algo muito incomum, mesmo nos momentos mais difíceis vividos por outros atletas nacionais. Enquanto isso, os argentinos tem cinco, sendo um deles Juan Martin del Potro, atual número 4 do ranking da ATP.


Fonte:Gazeta Esportiva

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